Viajar com Milhas

Quantas milhas para viajar: a referência por destino e programa

Pra viajar dentro do Brasil você precisa de pouca milha, passagens a partir de ~5 mil milhas; pra fora a régua começa perto de ~10 mil milhas. Aqui você tem a tabela cruzando Smiles, LATAM Pass e TudoAzul, a régua pra decidir milha ou dinheiro e o passo a passo pra achar o número exato do seu trecho.

Atualizado em junho 2026 Leitura: 12 min
A resposta direta

Afinal, quantas milhas para viajar?

Pra viajar dentro do Brasil você precisa de pouca milha. Hoje você consegue encontrar passagens, a depender do local, a partir de 3 mil milhas, 4 mil milhas, 5 mil milhas. Pra fora a régua sobe: um trecho internacional costuma começar perto de 10 mil milhas e passar de 70 mil pra Europa.

Guarda essa faixa como meta de partida: nacional a partir de ~5 mil, internacional a partir de ~10 mil.

E por que varia tanto? Porque o preço em milhas é uma faixa, não um número fixo. Ele muda com o destino, o programa, a época e a disponibilidade do voo.

Nesta página eu te dou a tabela cruzando Smiles, LATAM Pass e TudoAzul, a régua pra decidir milha ou dinheiro e o passo a passo pra achar o número exato do seu trecho.

Anota isso: milha vale dinheiro, e o número de milhas que falta pra sua próxima viagem é menor do que você imagina.

Atualizado em jun/2026.

~5 mil / ~10 mil faixa de referência: nacional a partir de ~5 mil milhas, internacional a partir de ~10 mil milhas

A variabilidade

O que faz o preço em milhas mudar?

O preço em milhas muda por seis coisas: o destino, a companhia, a época do ano, a antecedência, as escalas e a disponibilidade de assento naquele voo.

Uma pergunta que é feita de forma frequente é se cada companhia aérea tem o mesmo valor em milhas para cada destino, e não é bem assim. Cada um dos programas de fidelidade tem o que chamamos de secret spots, rotas próprias mais baratas, então o mesmo trecho pode custar 20 mil milhas num programa e 35 mil noutro.

É por isso que não existe um número único. Existe uma faixa, e a graça é achar a ponta de baixo dela.

Quando você sacar que o preço oscila igual ao preço em dinheiro, para de procurar "o número certo" e passa a caçar a janela barata. É ali que mora a economia de verdade.

Secret spots por programa Cada programa tem rotas próprias mais baratas, os secret spots. O mesmo trecho pode custar 20 mil milhas num programa e 35 mil noutro, então o programa "mais barato" muda conforme o destino.

A tabela cross-programa

Quantas milhas custa cada destino?

Aqui está o quadro que falta na internet: quantas milhas cada região custa em cada um dos três programas, lado a lado.

Pra um trecho doméstico em econômica, a faixa vai de 5.000, 15.000 milhas na Smiles, 5.000, 20.000 na LATAM Pass e 3.200, 18.000 pontos na TudoAzul. Pra Europa, a régua sobe pra 73.800, 88.000 milhas na Smiles, 40.000, 62.000 na LATAM Pass e 73.000, 90.000 pontos na TudoAzul.

Região (econômica) Smiles LATAM Pass TudoAzul
Doméstico 5.000–15.000 milhas 5.000–20.000 milhas 3.200–18.000 pontos
América do Sul 14.000–35.000 milhas 20.000–40.000 milhas 6.000–25.000 pontos
EUA 35.500–60.000 milhas 40.000–57.000 milhas 23.000–66.000 pontos
Europa 73.800–88.000 milhas 40.000–62.000 milhas 73.000–90.000 pontos

Repara num padrão útil: a LATAM costuma ser a mais barata pra Europa e a TudoAzul a mais barata pra doméstico. Não existe "o programa mais barato". Existe o mais barato pra cada trecho, e por isso vale ter conta nos três.

As faixas são de econômica e mudam com a demanda. Usa a tabela como referência e confirma o número exato no programa, do jeito que eu mostro na seção "Como descobrir o número do seu trecho".

3.200 pontos doméstico a partir de 3.200 pontos na TudoAzul, o piso mais baixo entre os três

A verdade sobre o "a partir de"

Por que o "mínimo" quase nunca aparece?

Se você sempre busca o "a partir de 5 mil" e nunca acha por esse preço, não é você: é o resgate dinâmico.

Voando com a própria companhia, o preço em milhas oscila como o preço em dinheiro. Sobe na alta temporada, na véspera e nas rotas cheias. Voando numa parceira, aí entra a tabela fixa. O interessante da tabela fixa é que você sabe que no máximo você vai pagar isso. Das três, só a LATAM Pass tem tabela fixa hoje.

Então o "mínimo" anunciado é o piso de um dia bom, com poucos assentos e poucas datas. Conta sempre com uma faixa, não com o número de propaganda.

Quando você lê a tabela da seção anterior como faixa, e não como promessa, para de se frustrar e já começa a planejar pra cair na ponta de baixo.

Preço variável vs. tabela fixa Voando com a própria companhia, o preço em milhas é dinâmico, sobe na alta temporada, na véspera e nas rotas cheias. Voando numa parceira entra a tabela fixa: você sabe que no máximo vai pagar aquele valor. Das três, só a LATAM Pass tem tabela fixa hoje.

A régua de decisão

Vale mais milha ou dinheiro?

Milha só compensa quando o custo do resgate fica bem abaixo do preço em dinheiro daquele voo. E dá pra saber com uma conta simples.

Pega quantas milhas o trecho custa, multiplica pelo milheiro de mercado (hoje R$ 16 na Smiles, R$ 25 na LATAM Pass e R$ 13 na TudoAzul) e soma a taxa de embarque. Um Rio, São Paulo de 3 mil milhas na Smiles dá 3 × R$ 16 = R$ 48, mais uns R$ 48,81 de taxa doméstica, perto de R$ 97 no total.

Se a passagem em dinheiro tá R$ 300, usar milha vale a pena fácil. Se tá R$ 110, talvez seja melhor guardar a milha pra um trecho caro.

Calculadora: vale mais milha ou dinheiro?

Custo real em milha + taxa

R$ 96,81

Preço em dinheiro

R$ 300,00

Resgatar com milhas compensa: o custo real está abaixo do preço em dinheiro.
R$ 16 / R$ 25 / R$ 13 milheiro de mercado: R$ 16 Smiles, R$ 25 LATAM Pass, R$ 13 TudoAzul, referência 2026

Roda a conta acima pro seu trecho antes de emitir. É ela que mostra na hora se o resgate compensa ou se você só ia queimar saldo à toa. A tabela abaixo já traz alguns cenários pré-calculados pra você se orientar.

Trecho (exemplo) Milhas Programa (milheiro) Resgate Taxa Custo total Vale a pena se o dinheiro custar
Doméstico curto 3.000 Smiles (R$ 16) R$ 48,00 R$ 48,81 R$ 96,81 acima de ~R$ 130
Doméstico médio 10.000 Smiles (R$ 16) R$ 160,00 R$ 48,81 R$ 208,81 acima de ~R$ 280
América do Sul 14.000 Smiles (R$ 16) R$ 224,00 R$ 130,00 R$ 354,00 acima de ~R$ 470
EUA 40.000 LATAM Pass (R$ 25) R$ 1.000,00 R$ 250,00 R$ 1.250,00 acima de ~R$ 1.700
Europa 73.800 Smiles (R$ 16) R$ 1.180,80 R$ 130,00 R$ 1.310,80 acima de ~R$ 1.800
Europa (mais barata) 40.000 LATAM Pass (R$ 25) R$ 1.000,00 R$ 130,00 R$ 1.130,00 acima de ~R$ 1.500

O passo a passo

Como descobrir o número do seu trecho?

A faixa da tabela é referência; o número do seu trecho você confirma em dois minutos no próprio programa. Vem comigo.

Então se eu tivesse 50 mil milhas hoje, eu iria considerar 25 mil milhas aqui, porque 50 mil ida e volta, eu venho aqui e coloco, 25 mil milhas, ele vai me dizer os destinos a partir de 25 mil milhas. Ou seja: define um teto de milhas por pessoa, coloca esse teto no buscador do programa, vê o que aparece e soma ida e volta.

Em ordem, é assim:

  1. Define um teto de milhas por pessoa (se você tem 50 mil pra ida e volta, o teto é 25 mil).
  2. Coloca esse teto no buscador do programa e deixa ele listar os destinos a partir desse valor.
  3. Soma ida e volta pra ver o custo real do trecho.
  4. Confere a taxa de embarque, que entra por fora das milhas.

Se for voo de parceira, primeiro vai na tabela de regiões pra ver em qual região o destino cai e qual o valor fixo daquele voo.

Perceba que não é nenhum bicho de sete cabeças: em poucos cliques o número da propaganda vira o número do seu voo de verdade. Tá bom?


Milhas + dinheiro

Posso completar milhas com dinheiro?

Pode sim. Quase todo programa deixa você emitir pagando uma parte em milhas e o resto em dinheiro, é o milhas + dinheiro. Pra quem parte quase do zero, isso destrava a primeira viagem sem esperar juntar o saldo inteiro.

Mas tem uma regra que muda tudo: quanto mais dinheiro entra na conta, pior costuma ficar o valor de cada milha que você usou ali. O programa cobra caro pelo "completar".

Então use o milhas + dinheiro pra fechar uma sobra pequena de saldo, nunca pra bancar metade da passagem. Antes de confirmar, refaz a conta da régua da seção anterior (milheiro + taxa) pra não pagar caro pela milha que faltou.

Anota isso: completar pouco resolve; completar muito vira armadilha.

Complete pouco, não muito Quanto mais dinheiro entra na conta, pior fica o valor de cada milha usada ali. Use o milhas + dinheiro pra fechar uma sobra pequena de saldo, nunca pra bancar metade da passagem.

A garimpagem

Como achar passagem no preço mínimo?

Pra achar o assento no piso de milhas, inverte a lógica: muitas vezes é o destino que te escolhe e não você que escolhe o destino.

O piso existe, mas em poucos assentos e poucas datas. Quem trava num único destino e numa única data quase sempre paga o caro. O jeito de pagar pouco é o contrário. Uma coisa que eu sempre faço, planejar, por exemplo, 3, 4 lugares que eu quero ir e eu vou avaliar qual tá no melhor momento pra fazer aquela viagem, ou seja, qual tem as melhores oportunidades pra eu ir naquele momento. Fica flexível na data e deixa a oferta do momento decidir.

As alavancas que fazem o preço despencar são essas:

  • Flexibilidade de data: solta a data fixa e busca a janela barata da semana.
  • Flexibilidade de destino: tem 3 ou 4 lugares no radar em vez de um só.
  • Aeroporto alternativo: às vezes sair de um aeroporto vizinho derruba o custo.

É assim que você emite por 3 mil milhas em vez de 8 mil pro mesmo bolso. Quem é flexível na data e no destino paga o piso; quem trava tudo paga o teto. E olha, isso ninguém te ensina direito, mas é a alavanca que mais economiza milha de verdade.


O acúmulo

Como juntar milhas mais rápido?

Pra bater a meta partindo quase do zero, o atalho não é gastar mais, é não jogar ponto fora. Concentra os gastos do dia a dia num cartão que pontua e cada real vira uma fábrica de milhas.

Mas o pulo do gato é a transferência bonificada. A gente teve recentemente uma promoção da Livelo com a Azul dando até 120% de bônus, ou seja, 50 mil pontos virariam 110 mil milhas.

As alavancas que aceleram o saldo são essas:

  • Cartão que pontua: concentra o gasto do dia a dia onde cada real vira ponto.
  • Transferência bonificada: espera a campanha pra dobrar o saldo de graça.
  • Lojas parceiras e promoções: acúmulo extra em cima do que você já ia gastar.

E repara nas faixas dessas campanhas:

  • Livelo → Azul Fidelidade: de 70% a 103% de bônus, podendo chegar a 120% pra quem tem tempo de Clube.
  • Livelo → Smiles: de 70% a 100% pra quem é do Clube.

Transferir no 1:1 fora da janela de bônus é um erro muito comum de baby milhas, são aquelas pessoas que estão começando no mundo das milhas: espera a promoção e dobra o saldo de graça. Junta cartão que pontua, lojas parceiras e transferência bonificada e a meta de milhas chega muito mais rápido do que comprando milha avulsa.

50 mil → 110 mil transferência Livelo → Azul com até 120% de bônus: 50 mil pontos viram 110 mil milhas

A validade

Milhas vencem? Como isso afeta o plano?

Milha tem prazo de validade, e isso muda quando você deve emitir.

Não seja um colecionador ou uma colecionadora de milhas, as milhas foram feitas para usar, seja para viajar, seja para vender e botar dinheiro no seu bolso. Cada programa tem sua regra de expiração, então deixar milha parada esperando "a viagem dos sonhos" é o jeito mais comum de jogar dinheiro fora.

A meta de acúmulo não é um cofre eterno. Junta com um destino e uma janela em mente, e usa antes do prazo. Dá pra renovar a validade com qualquer movimentação na conta, mas o melhor jeito de não perder milha é ter sempre uma viagem no radar.

Anota isso: milha guardada demais é milha perdida.

Não colecione, use Cada programa tem sua regra de expiração. Dá pra renovar a validade com qualquer movimentação na conta, mas o melhor jeito de não perder milha é ter sempre uma viagem no radar, junta com um destino e uma janela em mente e usa antes do prazo.

O veredito

Então, vale a pena viajar de milhas?

Vale a pena viajar de milha? Pra quase todo mundo que faz a conta, sim. E quem não faz tá jogando dinheiro fora todos os dias.

Tudo depende do seu objetivo, tudo depende da sua renda, tudo depende dos seus gastos.

O veredito, em uma frase

Pra quase todo mundo que faz a conta, viajar de milha vale a pena, e quem não faz tá jogando dinheiro fora todos os dias.

  • Se você voa nacional e tem o saldo: milha quase sempre bate o dinheiro num trecho de 3 mil a 5 mil milhas.
  • Se você mira Europa: a milha vira o caminho de pagar uma passagem de R$ 5 mil por uns R$ 1.200 em milhas mais taxa.
  • Se você não tem saldo nenhum: começa juntando com foco numa meta, não colecionando.

Milha vale dinheiro, e dinheiro parado não faz sentido nenhum.

Faz a conta da régua pro seu trecho, escolhe o programa mais barato pra ele na tabela, e usa a milha em vez de deixar ela virar pó.

R$ 5 mil → ~R$ 1.200 passagem de R$ 5 mil pra Europa por ~R$ 1.200 em milhas + taxa, o salto que a milha entrega no internacional

Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes sobre milhas para viajar

Quantas milhas preciso para uma viagem nacional?
Pra um trecho nacional você consegue passagens a partir de 3 mil a 5 mil milhas, dependendo do destino, da data e da disponibilidade. Na prática, a faixa doméstica em econômica fica em 5.000, 15.000 na Smiles, 5.000, 20.000 na LATAM Pass e 3.200, 18.000 pontos na TudoAzul. Rotas mais cheias e datas de alta temporada sobem essa faixa, então mira um piso de ~5 mil milhas como meta de partida e busca com flexibilidade de data pra achar a ponta de baixo.
Quantas milhas preciso para uma viagem internacional?
Pra fora a faixa começa perto de 10 mil milhas, América do Sul a partir de 14.000 na Smiles, e sobe muito pra destinos longos. Europa em econômica, por exemplo, fica assim: Smiles 73.800, 88.000 milhas; LATAM Pass 40.000, 62.000 milhas; TudoAzul 73.000, 90.000 pontos. A LATAM costuma ser a mais barata pra Europa entre as três.
As milhas valem mais que pagar em dinheiro?
Depende do trecho, e dá pra saber com uma conta. Multiplica as milhas pelo milheiro de mercado (R$ 16 Smiles, R$ 25 LATAM Pass, R$ 13 TudoAzul) e soma a taxa de embarque (R$ 48,81 num trecho doméstico). Se esse custo ficar bem abaixo do preço em dinheiro daquele voo, milha vale a pena. Se ficar perto, guarda a milha pra um trecho mais caro.
O "a partir de" anunciado é o preço que vou pagar de verdade?
Quase nunca. Voando com a própria companhia, o preço em milhas é dinâmico e oscila como o preço em dinheiro; o "a partir de" é o piso de um dia bom, com poucos assentos. Só na tabela fixa das parceiras você sabe que no máximo vai pagar aquele valor. Conta sempre com uma faixa, não com o mínimo de propaganda.
Milhas têm validade?
Têm. Cada programa tem sua regra de expiração, e milha parada esperando "a viagem dos sonhos" é o jeito mais comum de jogar dinheiro fora. As milhas foram feitas pra usar, junta com um destino e uma janela em mente e emite antes do prazo, não colecione.
Posso completar as milhas que faltam com dinheiro?
Pode. Quase todo programa permite o milhas + dinheiro, pagando parte em milhas e o resto em reais, útil pra fechar uma sobra pequena de saldo. Mas quanto mais dinheiro entra, pior costuma ficar o valor de cada milha que você usou ali. Refaz a conta da régua milha-vs-dinheiro (milheiro + taxa) antes de confirmar pra não pagar caro pela milha que faltou.
Fábrica de Milhas

Comece a acumular milhas de verdade

Aprenda o passo a passo que já levou mais de 35 mil alunos a voar pagando uma fração do preço, do primeiro cartão à primeira passagem de graça.

Rodrigo Góes, fundador da Fábrica de Milhas e especialista em milhas aéreas

Quem escreve aqui

Rodrigo Góes

O Mago das Milhas · Fundador da Fábrica de Milhas

Engenheiro mecânico com certificação em Negociação pela Universidade de Michigan, há mais de 7 anos exclusivo em milhas e pontos. Fundou a Fábrica de Milhas em 2019, hoje com mais de 35 mil alunos, que juntos já acumularam mais de 875 milhões de milhas. Apareceu em Mais Você, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Estadão e Infomoney.

Sem parcerias remuneradas com programas de fidelidade ou bancos, a autoridade neutra é o diferencial declarado. Bio completa do Rodrigo →