A LATAM diz que seu saldo no LATAM Pass pode ter sido consultado

Quem vinha adiando conferir saldo e categoria entra digitando o endereço do LATAM Pass no navegador, nunca pelo link do e-mail que avisa do vazamento.

Rodrigo Góes Fundador da Fábrica de Milhas · O Mago das Milhas (Brasília) · Leitura: 4 min
Ilustração de um cartão de sócio LATAM Pass com os rótulos de saldo de milhas e categoria à vista, ao lado de um envelope de e-mail com anzol de phishing
Saldo de milhas e categoria são os dois campos do cartão que entraram na lista do comunicado. O e-mail ao lado é o canal por onde o aviso chegou, e é o mesmo canal que o golpe imita. Ilustração gerada por IA

Sua categoria e seu endereço estão na lista

O saldo de milhas e a categoria da sua conta no LATAM Pass estão na lista de dados que, segundo o comunicado enviado aos clientes, podem ter sido consultados por pessoas não autorizadas.

Na mesma lista estão o nome completo, a data de nascimento, o e-mail, o telefone e o endereço residencial. Também estão lá o número de associado e os pontos qualificáveis.

E tem o cartão de crédito: os seis primeiros e os quatro últimos dígitos, a bandeira, o nome do titular e a validade.

6 + 4
O pedaço do cartão de crédito que entrou na lista: os seis primeiros dígitos e os quatro últimos

Campos reproduzidos do e-mail que a companhia enviou em 19 de agosto a quem identificou como potencialmente afetado.

Fora da lista ficaram a senha, o código de segurança do cartão e o número completo do cartão de crédito. A companhia afirma que nada disso foi exposto.

Esse detalhamento campo a campo não estava na nota que a LATAM mandou à imprensa. Ele veio do e-mail que a companhia enviou a quem identificou como potencialmente afetado.

E o tamanho disso? A LATAM descreve o alcance como uma parcela limitada de membros do programa de fidelidade.

Olha a lista de novo. O que ela monta não é a sua conta, é um retrato dela: quanto você tem, que categoria você é e como te encontrar.


A LATAM avisou só quem ela identificou

A LATAM avisou por e-mail só quem ela identificou como potencialmente afetado. E avisou em 19 de agosto, três semanas depois de detectar o acesso indevido, em 29 de julho.

A companhia explica o intervalo pela análise dos registros: só depois de olhar o histórico deu para saber quais contas tinham sido atingidas e quais informações poderiam ter sido consultadas.

01

29 de julho

A companhia detecta o acesso não autorizado ao sistema com dados de sócios do LATAM Pass.

02

19 de agosto

A LATAM comunica o caso, escreve a quem identificou como potencialmente afetado e notifica a ANPD.

A LATAM também notificou a ANPD, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados. Até agora a autoridade não se manifestou publicamente sobre o caso.

Quantos sócios entraram nessa lista de avisados é o que ficou de fora do comunicado. O total de afetados não foi divulgado, e é por isso que esse número não aparece em lugar nenhum.

Ou seja: não ter recebido o e-mail não prova que a sua conta ficou de fora do acesso indevido.


Um contato que sabe seu saldo parece verdadeiro

O número de sócio, a categoria e o saldo de milhas são exatamente o que falta a uma mensagem falsa para parecer verdadeira.

Um contato que abre dizendo o seu saldo certo e a sua categoria certa já venceu a parte difícil, que é te convencer de que quem está do outro lado tem acesso à sua conta. Daí para frente é o roteiro de sempre: às vezes você vai encontrar promoções de emissão com milhas e quando você clica nessas mensagens, normalmente vão pedir certas informações. Só que agora quem pede já provou saber quanto você tem, e simplesmente você percebe que caiu no golpe.

A companhia não confirmou que os dados deste incidente já foram usados assim. Mas os campos que podem ter sido consultados são a matéria-prima desse tipo de abordagem.

E tem uma linha que a própria LATAM colocou por escrito no comunicado:

A LATAM nunca pede senha, token de segurança ou dados de cartão por telefone, WhatsApp ou aplicativo de mensagem. Comunicado da LATAM aos clientes, 19 de agosto de 2026

A orientação que a companhia publica sobre golpes vai na mesma direção. Phishing, vishing e smishing se passam por identidades confiáveis para roubar dado, senha ou dinheiro, e a empresa pede que o contato aconteça sempre pelos canais oficiais.


Eu entro pelo endereço do LATAM Pass

Minha regra para esse tipo de mensagem é uma só, e ela não tem exceção: nunca clica nesses e-mails, nunca clica nessas mensagens de SMS. Está na dúvida, liga para o banco. Está na dúvida, acessa o site do seu programa de fidelidade e consulta.

No LATAM Pass é isso. Digita o endereço do programa no navegador, entra na sua conta e olha o saldo de milhas e a categoria com os seus olhos.

A lista de campos que podem ter sido consultados chegou por e-mail. O que continua do jeito que você deixou, só o extrato dentro da conta mostra.

Se alguma coisa não bater, você tem dois caminhos:

  • o canal de atendimento que a companhia abriu para o incidente;
  • o e-mail do encarregado pelo tratamento de dados pessoais da LATAM.

Nenhum dos dois é o telefone ou o link que veio na mensagem. Nunca entre em site que você não conhece, e o link de uma mensagem sempre leva a um site escolhido por quem mandou a mensagem.

E se o e-mail que chegou até você for legítimo, entrar pelo endereço do programa te leva ao mesmo lugar.

Você não perde nada digitando o endereço. Perde se clicar.

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Rodrigo Góes, fundador da Fábrica de Milhas e especialista em milhas aéreas

Quem escreve aqui

Rodrigo Góes

O Mago das Milhas · Fundador da Fábrica de Milhas

Engenheiro mecânico com certificação em Negociação pela Universidade de Michigan, há mais de 7 anos exclusivo em milhas e pontos. Fundou a Fábrica de Milhas em 2019, hoje com mais de 35 mil alunos, que juntos já acumularam mais de 875 milhões de milhas. Apareceu em Mais Você, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Estadão e Infomoney.

Sem parcerias remuneradas com programas de fidelidade ou bancos, a autoridade neutra é o diferencial declarado. Bio completa do Rodrigo →