A Câmara aprovou o PL 3.083/2026 em urgência: nada muda na sua conta

Enquanto o projeto não virar lei, o seu programa continua podendo bloquear a conta e restringir a transferência de quem vende pontos.

Rodrigo Góes Fundador da Fábrica de Milhas · O Mago das Milhas (Brasília) · Leitura: 3 min
O texto impresso do PL 3.083/2026 aberto sobre a bancada do plenário do Senado Federal, com a folha de rosto do projeto legível e as poltronas vazias ao fundo.
A folha de rosto do projeto é o que mudou de lugar nesta história: o texto saiu da Câmara e hoje está no Senado, que é onde ele para enquanto a sua conta segue com as regras de sempre. Ilustração gerada por IA

Faltam o voto do Senado e a sanção

Quem vende milhas hoje corre o mesmo risco de bloqueio de conta que corria antes de 13 de agosto de 2026, quando a Câmara dos Deputados aprovou o PL 3.083/2026 e mandou o texto para o Senado.

Para virar lei, os senadores ainda precisam aprovar o projeto e o presidente da República sancionar. Nenhuma das duas coisas aconteceu.

2 etapas
É o que ainda separa o PL 3.083/2026 de valer dentro da sua conta, e nenhuma delas foi cumprida até agora

Enquanto isso, a conversão de milhas em dinheiro não chegou automaticamente à sua conta.

Quem tem 40 mil ou 150 mil milhas para girar decide esta semana com as mesmas regras de sempre. Quem manda na conta ainda é o regulamento atual do programa.

A manchete "milhas viram dinheiro" descreve o que o PL 3.083/2026 propõe, não o que o seu programa faz hoje.

O que mudou de lugar foi o texto: saiu da Câmara e está no Senado, onde seguia em análise quinze dias depois da votação. O risco de quem vende ficou onde estava.


O bloqueio cairia só nos programas sem conversão

Se o PL 3.083/2026 virar lei, a proibição de bloquear contas e de restringir a venda ou a transferência de pontos alcançaria apenas os programas que não oferecerem a conversão oficial de pontos em dinheiro.

O projeto separa os programas de fidelidade em dois grupos: os que oferecem essa troca por dinheiro e os que não oferecem. É no segundo grupo que a proibição mora.

O que cairia junto com o bloqueio
Limite de quantidade de beneficiários
Reconhecimento facial para o resgate de produtos e passagens
Biometria para confirmar o login no programa de milhagem, nas companhias aéreas

Quem vende saldo sabe o que isso vale. São exatamente os mecanismos que hoje travam uma conta depois de uma negociação.

Smiles, Latam Pass e Azul Fidelidade ficariam sem mecanismo para impedir a venda de pontos caso não criem uma estrutura própria de conversão de milhas em dinheiro.

Nada disso vale hoje: o projeto ainda está em tramitação.


A urgência de dezembro de 2023 não bastou

Em dezembro de 2023 a Câmara dos Deputados já havia aprovado regime de urgência para outra proposta sobre a venda de milhas, e dois anos e sete meses depois a regulamentação continuava sem virar lei.

A diferença desta rodada é o quanto o texto andou. Em 13 de agosto de 2026, a urgência e o próprio mérito passaram na mesma sessão, e o PL 3.083/2026 foi direto ao plenário, sem passar por quatro comissões.

01

Dezembro de 2023

Urgência aprovada para outra proposta sobre a venda de milhas, e a regulamentação não saiu.

02

13 de agosto de 2026

Urgência e mérito aprovados na mesma sessão, e o PL 3.083/2026 segue para o Senado.

A ABEMF, associação que reúne as empresas do mercado de fidelização, afirma ter recebido a aprovação com surpresa. Para a entidade, o PL 2.767/2023, texto anterior sobre o mesmo tema, estava pronto para ir ao Plenário e acabou substituído por essa nova proposta.

Onde o PL 3.083/2026 está hoje, casa por casa, você confere na ficha de tramitação do projeto no portal da Câmara.


A recuperação judicial barraria MaxMilhas e HotMilhas

A exigência de não ter entrado nem saído de recuperação judicial nos sete anos anteriores barraria a HotMilhas e a MaxMilhas do papel de operador oficial da conversão de milhas em dinheiro. Uma única apuração de imprensa publicou o perfil que o PL 3.083/2026 exigiria desse operador:

ExigênciaO que o projeto pediria do operador
VínculosIndependência de companhias aéreas, bancos e programas de fidelidade
Tempo em milhasSete anos de atuação em comercialização, intermediação ou conversão de milhas
Tempo em intermediaçãoOutros sete anos de atividade em CNAE de intermediação de serviços
Recuperação judicialNenhuma entrada nem saída nos sete anos anteriores

HotMilhas e MaxMilhas integram o grupo 123Milhas, em recuperação judicial desde 2023 com dívida acima de R$ 2,5 bilhões. As duas seguem operando em 2026, nos mesmos sites onde você vende hoje.

Para a ABEMF, concentrar a conversão em um único operador com esse perfil pode criar reserva de mercado.


Eu coto o saldo nos dois sites

Eu não mudo o meu jeito de vender por causa desta votação.

A regra continua a mesma: antes de decidir, entra lá no site da Max Milhas, da Hot Milhas e cota quanto você receberia por essas milhas.

Você pode vender em sites na internet ou você pode vender no particular, e o preço não é o mesmo nos dois caminhos.

Esse preço muda toda semana e só existe dentro de cada site. É lá que você confere antes de fechar.

Milhas valem dinheiro, e quem trata milha como caixa decide pelo preço do milheiro, não pela manchete que a votação rendeu.

A regra prática

Antes de fechar qualquer venda, cote o saldo nos dois sites e decida pelo preço do milheiro do dia.

Fonte

Aprovação do PL 3.083/2026 no portal da Câmara dos Deputados

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Rodrigo Góes, fundador da Fábrica de Milhas e especialista em milhas aéreas

Quem escreve aqui

Rodrigo Góes

O Mago das Milhas · Fundador da Fábrica de Milhas

Engenheiro mecânico com certificação em Negociação pela Universidade de Michigan, há mais de 7 anos exclusivo em milhas e pontos. Fundou a Fábrica de Milhas em 2019, hoje com mais de 35 mil alunos, que juntos já acumularam mais de 875 milhões de milhas. Apareceu em Mais Você, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Estadão e Infomoney.

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